Validar tool calls: declarar um schema não basta

Validar tool calls: declarar um schema não basta

O formato anunciado e os dados recebidos

Uma tool é uma função que o modelo pode solicitar. Seu input schema descreve os argumentos: quais campos são necessários e seus tipos. Se uma função registra uma medida corporal, declarar que o peso é um número não faz essa função conferir automaticamente cada valor recebido. Seu programa precisa executar essa verificação.

As restrições oferecidas pelo provedor podem ajudar a gerar dados no formato correto. O harness ainda precisa fazer cumprir seu contrato antes de agir, sobretudo quando aceita diferentes provedores. Uma declaração descreve o que é aceito; o validador compara essa declaração com uma chamada concreta.

Três perguntas antes de executar

São três verificações diferentes. Primeiro, o provedor terminou a resposta? Depois, é possível interpretar os argumentos como um objeto JSON? Por fim, esse objeto atende ao schema? Uma resposta completa pode conter argumentos incorretos; um JSON legível também.

  1. Os eventos do provedor chegam ao parser, que reconstrói a chamada pendente.
  2. Após o resultado do parser, o harness verifica se a resposta está completa e interpreta os argumentos.
  3. O validador compara campos e tipos com o schema daquela tool.
  4. Argumentos válidos entram no handler; os inválidos devolvem um erro sem executá-lo.
  5. O resultado volta ao modelo, que pode corrigir a chamada ou responder.

Um único ponto de verificação

O despachante, a função que escolhe o código executável pelo nome da tool, é um bom lugar para essa verificação. Leituras e escritas passam pelo mesmo ponto. Se cada handler inventa suas próprias regras para tipos e campos obrigatórios, adicionar uma nova tool pode deixar uma lacuna que ninguém percebe.

Defina cada tool uma única vez e use essa definição para apresentá-la ao provedor e conferir os argumentos recebidos. Esse padrão não precisa de um servidor: o Gymnasia faz a verificação localmente. Observe que o handler só é executado depois que o validador aceita a chamada:

when a complete tool call arrives:
    find the tool definition
    parse the arguments as a JSON object
    errors = validate(arguments, definition.input_schema)
    if errors exist:
        return a tool result with the failing fields and reasons
    return run_handler(arguments)

append the tool result to the conversation
ask the model for the next turn, within the round limit

OpenAI, Anthropic e Google Interactions usam formatos diferentes para solicitar tools e receber resultados. Depois que a chamada é reconstruída, as tools do Coach chegam ao mesmo executor. O provedor compatível com OpenAI também usa esse executor. Não são necessárias quatro versões das regras de entrada.

Um erro que permite continuar

O Gymnasia registra o peso com uma tool chamada write_measurement. Este exemplo falha: data.weight_kg contém texto, embora pareça um número. A data e o restante do objeto podem estar corretos:

{"date":"2024-04-11","data":{"weight_kg":"75,5"}}

O resultado informa que a tool não foi executada e identifica data.weight_kg como um campo que deve ser numérico. O harness devolve esse resultado ao modelo com a identidade correspondente da chamada. Na próxima rodada, o modelo pode enviar:

{"date":"2024-04-11","data":{"weight_kg":75.5}}

O harness não converte o texto nem executa novamente por conta própria. O modelo propõe a correção e a nova chamada é verificada outra vez. Se os argumentos forem válidos, a tool é executada; se continuarem incorretos, recebe outro erro. Tudo ocorre dentro do limite de rodadas existente. Um erro conhecido de argumentos permite continuar; uma escrita de resultado incerto exige outro tratamento e não deve ser repetida como se nada tivesse ocorrido.

Casos reproduzíveis no Gymnasia

Estes casos vêm de testes do executor e de fixtures reproduzíveis, respostas de provedor preparadas para testes. Não são transcrições de conversas privadas nem uma medida da frequência com que um modelo erra.

Entrada problemáticaComportamento anteriorCom validação central
Uma medida enviada como JSON dentro de uma string, com um número escrito como texto.O contrato de medidas aceitava o formato legado e normalizava o valor.O modelo deve enviar um objeto com valores numéricos, conforme o schema. A medida existente é preservada enquanto a chamada é corrigida.
Uma refeição escrita como “ desayuno ”.O handler normalizava espaços e maiúsculas.O Coach recebe os valores permitidos pelo enum e pode reenviar “Desayuno”.
JSON ilegível no OpenAI para uma tool sem campos obrigatórios.O parser o substituía por um objeto vazio, que podia chegar ao handler.Um erro de argumentos é devolvido sem executar a tool. Um objeto vazio legítimo continua válido se o schema permitir.
Um campo numérico opcional enviado como null.O validador ignorava o valor.O valor é rejeitado quando o tipo não admite null, inclusive em objetos ou arrays aninhados.

O formato não basta para decidir

O schema verifica o formato, não toda a intenção ou as regras do produto. Uma data pode ser uma string e representar um dia impossível. Um identificador pode ter o tipo certo e apontar para um exercício inexistente. Datas, referências e séries continuam exigindo validação de domínio. Passar pelo schema também não dá permissão para uma ação que precisa de confirmação.

O validador próprio do Gymnasia cobre os tipos e restrições declarados no catálogo de tools, não toda a especificação JSON Schema. Não adiciona uma nova dependência ao bundle móvel nem transforma os argumentos. Campos extras são permitidos quando o schema não os proíbe e rejeitados quando additionalProperties é false. Um campo opcional pode ser omitido; isso não transforma null em um número. As referências de JSON Schema sobre objetos e null documentam essas regras.

Se seus schemas passarem a precisar de uniões, referências ou novas restrições, amplie o validador e seu contrato ou adote uma biblioteca que as suporte. Não anuncie uma regra que o programa nunca verifica. Tools que declaram uma string com JSON dentro também precisam interpretar e validar esse conteúdo.

O contrato também pode mudar durante o transporte. Em um teste real com OpenAI Responses, pedir apenas o peso fez o provedor exigir todas as medidas e o modelo preencher as demais com 0,01. Em um ensaio temporário com strict:false, o schema manteve esses campos opcionais e o modelo enviou somente o peso. A validação local continuou ativa. A documentação da OpenAI explica o valor padrão de strict.

Testar o contrato e seus efeitos

Os testes unitários devem cobrir argumentos válidos sem modificação, campos obrigatórios ausentes, tipos incorretos, enums, limites e objetos aninhados. O Gymnasia também compara seu validador com Ajv nos testes para o subconjunto de schemas utilizado. A geração de argumentos arbitrários, ou fuzzing, procura entradas que causem exceções ou divergências.

A propriedade de execução é observável: uma chamada inválida não carrega dados, resolve catálogos, cria IDs nem produz uma escrita do handler. Os testes de integração reproduzem uma medida inválida, o resultado de erro, uma chamada corrigida e uma única escrita. O E2E percorre essa sequência pelo chat com OpenAI, Anthropic e Google simulados, verifica o armazenamento e recarrega o aplicativo. Isso demonstra o comportamento local com essas respostas, não que um modelo real sempre se corrija.

Veja a implementação e os testes na PR do Gymnasia. A validação central já foi integrada e publicada na web.

A QA com um modelo real da OpenAI também encontrou uma mudança no contrato dos campos opcionais durante o transporte. A correção adicional já está publicada na web. A QA final com o código publicado, sem intervenção temporária na rede, registrou somente 75,9 kg e preservou as outras medidas ao recarregar.

Uma série sobre como construir agentes

Este artigo faz parte da série sobre construir um agente e seu harness usando um aplicativo de academia como exemplo prático. Cada artigo desenvolve uma decisão que você pode aplicar ao seu próprio agente.

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